A ESTRANHA DESCOBERTA DA AUSTRÁLIA

por Pierluigi Piazzi

 

 

Logo depois da Lua Nova, quando vemos apenas uma finíssima foice iluminada, uma observação mais atenta nos leva a uma descoberta interessante.

Se você prestar bastante atenção verá que, apesar da luz do Sol iluminar a Lua meio na contra-luz (tanto é que só uma fina foice brilhante aparece do nosso lado) o restante de seu disco é fracamente visível.

Se um astronauta estivesse na superfície da Lua em algum ponto da foice iluminada pela luz direta do Sol, diria que é dia. Se estivesse do lado escuro diria que é noite.

 

Mas… de onde vem a luz que ilumina fracamente o lado escuro?
Antigamente havia pessoas que pensavam que a Lua fosse uma gigantesca bola de vidro semi-transparente e que a luz fraca do lado noturno nada mais era que a luz do Sol passando através do “vidro”.

O grande gênio do renascimento, Leonardo da Vinci (1452 – 1519), porém, é que achou a explicação correta: para que você também a encontre basta se por no lugar do astronauta que está na superfície da Lua na região em que ainda é noite.

Olhando para o céu, o que você vai ver? Um céu preto, um monte de estrelas e uma tremenda “Terra cheia”. Isso mesmo, assim como nós temos noites de “Lua cheia” que iluminam a escuridão, a Lua também tem noites de Terra cheia. Com uma diferença: a Terra cheia que aparece no céu lunar é 16 vezes maior que a Lua cheia que vemos aqui da Terra.

 

No século XVII, astrônomos holandeses verificaram que a fraca luz que a Terra projeta sobre o lado escuro da Lua muda de tonalidade conforme a Terra gira, apresentando ora uma face cheia de continentes, ora uma face cheia de oceanos.

Quando os cálculos desses astrônomos mostraram que a face iluminada da Terra vista pela Lua era a correspondente aos Mares do Sul, tiveram uma surpresa!

O tom da luz na Lua, que devia ser de mar, entretanto correspondia à coloração típica de continente.

 

O que será que temos nos Mares do Sul? Será um continente novo ainda não descoberto?

Nessa época já corriam lendas sobre uma enorme ilha que os portugueses haviam batizado de “Java la Granda”. Será que a tal ilha existe mesmo e é muito grande?

Pois bem, um navegador holandês, um tal de Willem Janszoon resolveu ir até lá para checar. Pegou seu navio e lá foi ele. E não é que ele descobriu a Austrália?

Corria o ano de 1606. Muitos anos depois, em outra viagem, Abel Tasman descobriu, já em 1642, a Tasmânia (adivinhe de onde vem esse nome?) e a Nova Zelândia. A primeira colônia de europeus na Austrália, porém, só foi estabelecida em 1788.

Hoje a Austrália e a Nova Zelândia são dois países muito desenvolvidos e, para quem passeia por entre os prédios de suas metrópoles é um pouco difícil imaginar que tudo começou com um leve e quase imperceptível reflexo… na Lua!

A rigor a Austrália não foi descoberta em 1606 por um holandês mas sim 50 ou 60 mil anos antes pelos aborígenes que a povoaram e que já estavam por lá quando os europeus chegaram. Da mesma forma é meio estranho dizer que o Brasil foi descoberto pela expedição de Cabral… e os índios que já estavam aqui há muitos milhares de anos?

As imagens foram obtidas num site da Internet muito interessante, o Solar System Simulator que fica no endereço http://space.jpl.nasa.gov/.