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Uma apresentação no planetário AsterDomus dura cerca de 35 minutos, durante os quais os participantes têm contato lúdico com inúmeras informações e conceitos de Astronomia e ciências em geral. Seria pretensioso e presunçoso esperar que, nesse curto intervalo de tempo, eles possam reter em profundidade as informações e os conceitos aos quais foram expostos. A mera visitação ao planetário é absolutamente insuficiente nesse aspecto. Entretanto, se for precedida e sucedida por abordagens com temáticas astronômicas coerentemente encadeadas com os conteúdos vistos no planetário, seja nas salas de aula da escola formal ou em outras atividades práticas em espaços pedagógicos física e psicologicamente não tradicionais, o resultado pode ser esplendidamente otimizado, tanto em termos de compreensão de conceitos como de retenção de informações. Em outras palavras, visitar o planetário, sem dúvida, é útil, é bom, é desejável e, não menos importante, é deliciosamente divertido. Mas se, indo além, isso fizer parte de um processo pedagógico maior, os frutos colhidos podem ser muito maiores, melhores e em maior quantidade. Sugerimos, efusivamente, que a visitação ao planetário seja apenas uma etapa — uma etapa importante, é certo — de um processo pedagógico, cultural e educacional, maior, sempre que possível interdisciplinar e multidisciplinar, envolvendo abordagens lúdicas e recreacionais em sala de aula e/ou, principalmente, fora dela. E, nesse sentido, propomos e defendemos ardorosamente a implementação, na programação das escolas ou de qualquer outro grupo organizado de pessoas em que a atividade intelectual seja preponderante — quer como entretenimento cultural ou simplesmente como lazer— de atividades práticas relacionadas a temas da Astronomia que, acreditamos, são extremamente motivadores e envolventes, emocionalmente e intelectualmente.
A Importância das Atividades Práticas Vivenciais A experiência acumulada durante mais de 25 anos atuando com educação básica, especificamente nas áreas de Física e Astronomia, e também por mais de 10 anos na área de treinamento empresarial, nos permite cogitar que, no processo de aprendizagem, as atividades práticas são extremamente eficazes para a compreensão de conceitos, fixação e retenção de conhecimentos pelos alunos. O envolvimento sinestésico (estimulado simultaneamente através de vários sentidos) proporcionado por atividades nas quais os alunos têm participação integral, desde o planejamento até a execução e avaliação final é, talvez, o maior achado (de fato, um redescobrimento) das pedagogias mais recentes. Simpatizantes do construtivismo, do vivencialismo, do sócio-contextualismo, e de outras correntes pedagógicas contemporâneas concordam em que a experimentação (ou, experiencialização, se nos é permitido o neologismo) está entre os processos mais eficazes de aprendizado, ainda que nem sempre seja o mais rápido, o mais fácil ou o mais econômico. Por outro lado, os educadores buscam meios para romper com o confinamento físico (e mental) a que os alunos e os professores ficam sujeitos na sala de aula da escola formal. Atividades fora da sala de aula ou mesmo fora da escola são, quase sempre, bem vindas, justamente por serem, salvo raras exceções, envolventes e motivadoras. Nas atividades de entretenimento cultural e educacional pode-se, quase sempre, mirar no “entretenimento” (o alvo imediato) e acertar, simultaneamente, “cultura” e “educação” (o alvo final), mais ou menos como quando, ao atirar com arco e flecha, Fazemos alteração na mira para corrigir a influência de vento lateral e da gravidade. As atividades práticas estruturadas pela AsterDomus, sejam elas formatadas como oficinas, sessões de debates, observações do céu, atividades lúdicas recreativas, jogos coletivos e individuais, colaborativos e/ou competitivos, ou outras de gêneros menos formatados, foram experimentadas reiteradas vezes com públicos diversos. Com pequenas adaptações no conteúdo e, por vezes, alterações substanciais na forma, desde alunos e professores da escola formal de ensino básico, superior ou especial, até funcionários de chão de fábrica ou executivos de empresas multinacionais puderam aprender — não apenas Astronomia — e se divertir ao mesmo tempo, colaborando ainda para o aprimoramento das atividades. As 5 atividades especificadas a seguir são para grupos de 25 participantes idealmente estratificados em estádios cognitivos semelhantes.
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Relógio Solar: Construção (montagem) e uso de um relógio solar horizontal. Cada participante recebe cola, tesoura e uma cartela impressa para recortar e montar seu próprio relógio solar. Durante a atividade, aprende a usar uma bússola para orientar corretamente o relógio e recebe informações sobre como pode se orientar usando também o próprio movimento do Sol no céu. São abordados temas como calendários, medidas de tempo (o ano, o mês, a semana e a hora) e relógios simples como a ampulheta e a clepsidra.
Rosa dos Ventos: Construção (montagem) e uso de uma rosa dos ventos. Cada participante recebe uma tesoura e uma cartela impressa para recortar, além de uma folha para colorir e marcar e um conjunto para montar sua própria bússola artesanal. Com isso, constrói sua própria rosa dos ventos, aprende a orientá-la usando bússola ou mesmo o movimento do Sol no céu. Em conjunto, os participante montam um quebra-cabeça gigante com uma figura da Terra. Com suas rosas dos ventos e com auxílio de bússolas, aprendem noções básicas sobre orientação, pontos cardeais, geomagnetismo e navegação.
Astrolábio: Construção (montagem) e uso de um astrolábio náutico semelhante aos usados pelos portugueses durante as Grandes Navegações. Cada participante recebe uma tesoura, uma cartela impressa para recortar, fio de prumo e tubinhos (canudinhos-visores). Com isso, constrói seu próprio astrolábio e aprendem noções de geometria, como ângulos, semelhança de triângulos, escalas, razões e proporções, etc. Descobrem como medir a altura e a direção das estrelas e demais astros do céu e reproduzem o processo de “pesagem do Sol”, como descrito por Camões em “Os Lusíadas”. Informações sobre a história do astrolábio e sua importância fundamental para a civilização ocidental são fornecidas durante a atividade.
Sistema Solar em Escala: Construção e montagem de um modelo do Sistema Solar, em escala de tamanho, com os principais componentes, e mediante disponibilidade de área com espaço físico suficientemente amplo, subseqüente montagem de uma escala de distâncias. Os participantes recebem tesouras e cartelas para recortar peças representando o Sol, os 8 planetas e ainda a Lua, um asteróide (Ceres), e um objeto transnetuniano (Plutão), respeitando uma escala de tamanhos. Em seguida, conjuntamente, constroem outro modelo respeitando uma escala de distâncias e posicionam seus elementos junto com marcos indicativos num espaço amplo (campo de futebol, quadra, gramado, etc). Durante a atividade, aprendem noções sobre a distribuição espacial dos astros mais próximos no entorno da Terra e também da distribuição da matéria e do espaço em nosso Universo.
Lançamento de Foguetes AsterPet-II: Construção (montagem) e lançamento de foguetes propulsados a ar comprimido, usando garrafas PET de 2 litros (previamente higienizadas), cartelas para recortar, colar, tesoura, cola e fita adesiva. Após a montagem dos foguetes, com ogiva cônica e aletas para manter a direção e estabilidade, os participantes participam do lançamento de cada um de seus foguetes a partir de uma “Base de Lançamento” (a ar comprimido) da AsterDomus, com contagem regressiva e muita emoção! Durante a atividade, noções elementares sobre foguetes, gravidade, propulsão e astronáutica são abordadas. A atividade toda dura cerca de 1h 30min e é dimensionada para um grupo de 25 participantes.
Observações do Céu com Telescópio: Esta atividade pode ocorrer no período diurno ou noturno, sempre com monitoramento e explicações sobre o que se está observando, através de microfone e equipamento de som, além de apontador laser (verde) específico para observações astronômicas. Durante o dia, sempre dependendo das condições atmosféricas locais, pode-se realizar observações do Sol, por projeção, visualizando-se facilmente as manchas solares e a granulação fotosférica. Pode-se, ainda, observar diretamente a Lua, Vênus e Júpiter, dependendo da posição desses astros no firmamento. No período noturno, pode-se observar a olho nu, inicialmente, o céu estrelado, reconhecendo nele as principais constelações, estrelas e, eventualmente, planetas presentes acima do horizonte, além da Lua. Esses mesmos astros podem, em seguida, serem vistos através de telescópios. Em condições atmosféricas e de iluminação adequadas, podem ser observadas, ainda no céu noturno, a olho nu e com telescópios, galáxias, nebulosas e aglomerados estelares.
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