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Um Gato de Porcelana

Um urso de pelúcia é um urso? Um pinguim de geladeira é um pinguim?

Questões como essas remetem ao conceito de “identidade” das categorias nas quais compreendemos os fatos e processos que percebemos: os fenômenos.

Até que ponto uma adjetivação pode alterar substancialmente um substantivo?

Ciências sociais são Ciências?

FATOS, PROCESSOS E A DIMENSÃO TEMPORAL

Ressaltemos aqui que percebemos basicamente de duas maneiras o que chamamos de “real” ou “realidade objetiva”: ou como fatos – que independem, ou ao menos parecem que independem, da dimensão temporal, tais como uma pedra, o Sol, uma montanha, uma fotografia –, ou como processos – que ocorrem não apenas num determinado espaço mas ao longo de um intervalo de tempo, como uma nuvem, uma corrida, uma viagem, um filme.

Fatos e processos diferem pela percepção que temos delas quanto à importância da temporalidade. Um vida é um processo, que ocorre ao longo do tempo, enquanto a morte é um fato, um instante, um átimo.

Fatos ou processos, são coisas, são fenômenos percebidos.

Quem foi Napoleão? Quem é Barak Obama? E quem foi Dom Pedro II do Brasil? 

“Quem foi” implica em reconhecer um processo, uma sequência ao longo do tempo e do espaço, um “filme”.

“Quem é” pode até reconhecer o processo mas o foco é no status atual, na coisa factual, no fato, no retrato instantâneo, na “foto”.

Então, mesmo a identidade de uma pessoa, como Napoleão Bonaparte, Barak Obama ou D. Pedro II pode ter nuances que dependem da importância que se dê à temporalidade. “Quem foi” remete a um processo. “Quem é” remete a uma situação atual. Dom Pedro II, considerado por nós, de seu futuro, é um processo que teve fases, evolução, início e fim. Barak Obama é o que é hoje, é o indivíduo atual, é ex-presidente dos EUA, é marido de Michele Obama, é cidadão americano.

SUBSTANTIVOS E O PROBLEMA DE IDENTIDADE

Usamos o termo “substantivo” para nos referirmos à categoria de fatos e processos que exprimem alguma essência, alguma propriedade ou característica fundamental, alguma idiossincrasia. Assim, quando escrevemos “urso” remetemos imediatamente ao significado essencial de urso, um animal, mamífero, quadrúpede mas que pode andar apenas sobre as patas traseiras, quase sempre onívoro (e sempre carnívoro),

plantígrado (como nós, humanos); não a um urso específico ou a uma espécie das 8 conhecidas.

Mesmo quando usamos o termo “urso” como metáfora como em “João é um urso quando trabalha” ou “João, lutando, é um urso”, remetemos a alguma propriedade ou característica essencial ao significado substantivo de “urso”; nos exemplos, a relativa grande força e tenacidade.

Há até uma brincadeira muito conhecida (e que já virou jogo de computador) com perguntas cujas respostas são apenas “sim” ou “não”, no qual se tenta adivinhar um animal pelas suas características.

A substantivação de qualquer coisa, seja fato (como “pedra”) ou processo (como “erosão”) ou uma tênue fronteira entre ambos (como “rio”, que pode ser caracterizado como um fato ou como um processo), remete-nos a uma antiga questão sobre a identidade das coisas.

Parmênides de Eléia, no século V a.C., enunciou o “princípio da identidade”, que afirma que algo é igual a si mesmo ( a = a ). Platão de Atenas abordou, nos séculos V a.C. e IV a.C., mais ou menos seguindo e criticando o caminho traçado por Parmênides, o “problema da identidade” pessoal.

Os predicados, as qualidades, as propriedades de alguma coisa, seja ela fato ou processo, têm que ser suficientes para caracterizá-la inequivocamente, distinguindo-a de quaisquer outras coisas, identificando-a.

As propriedades de “urso” aplicam-se integralmente à “urso polar” e a “urso pardo”, mas não se aplicam integralmente à “urso de pelúcia”. Urso pardo e urso polar são, de fato, ursos, que contêm todas as propriedades de “urso” e mais algumas específicas. Urso de pelúcia tem ou pode ter apenas um subconjunto das propriedades de “urso” e, portanto, não é possível identificar um urso de pelúcia com um urso. Eles são coisas distintas, diferentes.

Esse tipo de análise aplica-se mais ou menos bem à coisas factuais, mas pode se complicar bastante com coisas processuais.

O desenvolvimento sistemático das análises racionais sobre substantivos e predicados deu origem a áreas teóricas e práticas de intensa e extensa aplicação à Ciência e ás tecnologias, com a Lógica dos Predicados, ramo na matemática, e os paradigmas de linguagens de programação lógica (como Prolog) e orientadas a objeto (como C++ ou C#).

O NAVIO DE TESEU E AS MUITAS MORTES DE SPOCK

Plutarco de Queroneia, outro filósofo grego, no século I a.C., relatava uma lenda sobre um certo “Navio de Teseu”. Diz Plutarco que o navio, de 30 remos, voltara da aventura em Creta, onde o herói Teseu salvara muitos jovens atenienses destinados à morte no labirinto do Minotauro, e fora preservado por muitos e muitos anos em memória do grande e épico feito.

Com o passar do tempo, como partes do navio de Teseu iam apodrecendo, seus cuidadores as substituíam por partes novas; e assim foi ao longo de séculos até que todas as partes do Navio de Teseu original, no qual ele efetivamente navegou, haviam sido substituídas. 

A questão que intrigou Plutarco e também a muitos outros filósofos, na Grécia Antiga como Sócrates e Platão, e ao longo dos milênios, até nossos dias, é se, passado muito tempo, o Navio de Teseu ainda existia. Isto é, se o navio com as partes todas substituídas ainda era o Navio de Teseu.

Há versões distintas dessa história, e algumas mais complexas do que a que descrevemos acima, mas que explicitam a mesma coisa: a dificuldade intrínseca que há para identificar mesmo uma coisa factual, como um navio, ou mesmo escolher entre seus aspectos factuais ou processuais para a sua identificação. Exemplos de versões mais complexas dessa história são a do “Navio Carniceiro” feito com as partes podres do Navio de Teseu, ou a do “Príncipe e o Sapateiro” de John Locke, ou do “Homem do Pântano” de Donald Davidson; todas ilustram complexidades no conceito de identidade substantiva.

Um dilema mais recente, extraído de uma série de ficção científica, é a questão sobre se Spock morre ou não a cada vez que é teleportado da ou para a Enterprise. A cada “Leve-me a bordo, Sr. Scotty”, há uma morte?

Outro dilema que é ainda mais perturbador é se a ideia de “pessoa” existe ou não, isto é, tem ou não correspondência na realidade. Nós o encontramos muitas vezes na literatura fantástica, por exemplo, de Franz Kafka, em “A Metamorfose”, onde o corpo muda mas a mente permanecem, e no perturbador e imperdível “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes.

ADJETIVAÇÃO E MUDANÇA DE IDENTIDADE

Para especificar alguma característica especial à categoria substantiva ou mesmo para lhe alterar em diferentes graus as propriedades usamos os adjetivos, que são termos colocados junto aos substantivos. Por exemplo, quando falamos em “urso pardo” ou “urso polar” estamos especificando subcategorias de urso sem, entretanto, mudar seu significado substantivo; mas já quando falamos em “urso de pelúcia” ou “urso de plástico” alteramos fundamentalmente o substantivo.

Um urso pardo é um urso, assim como um urso polar o é. Mas um urso de plástico ou de pelúcia não é um urso; é um simulacro que guarda com o substantivo “urso” apenas uma aparência de forma, e sequer necessariamente guarda correspondência de dimensão ou de substância ou de cheiro ou de cor ou de peso (massa) ou processual (uso de pelúcia é uma coisa que quase independe do tempo, é um fato, enquanto urso é um processo com nascimento, vida e morte, que se move, que muda perceptivelmente).

Nas expressões “gato pardo”, “urso polar” e “pinguim de colar”, apesar das adjetivações, mantêm-se as essências substantivas de “gato”, “urso” e “pinguim”.

Já em “gato de porcelana”, “urso de pelúcia” e “pinguim de geladeira”, as adjetivações mudam “substancialmente” os substantivos gato, urso e pinguim.

“Urso” é um substantivo caracterizado por um conjunto de predicados (características, propriedades). Algumas lhe são idiossincráticas, peculiares, e outras são compartilhadas com outros substantivos similares (ser mamífero, por exemplo, ou ter 4 patas, ou ter 2 olhos, etc.). O que caracteriza “urso” é justamente o conjunto único de suas propriedades. E dentro desse conjunto, pode-se especificar, por adjetivação, subconjuntos diversos, que podem ser mutuamente excludentes, como “urso branco” e “urso preto”; ou mesmo podem ter intersecções, como “urso gordo” e “urso branco”, atributos específicos eventualmente compartilhados por ursos.

Diferentemente, no caso de dos conjuntos de atributos característicos “urso de pelúcia” ou “urso de porcelana” apenas uma fração pequena é comum com “urso” e a maior parte dos seus predicados são externos ao conjunto “urso”. As expressões “urso de pelúcia” e “urso de porcelana” não são subconjuntos de “urso”.

Outro conhecido exemplo que causa muita confusão é “estrela cadente”, onde a adjetivação “cadente” altera completamente o significado de “estrela”. Estrela é um astro gasoso (plasma é um gás muito ionizado) grande (muito grande), que emite luz própria (muita luz) e tem massa milhões de vezes maior que a da Terra enquanto “estrela cadente” é um astro rochoso, pequeno e que era frio (gélido, muito frio), mas que pode incandescer por um curto tempo em que cruza a atmosfera (quando é percebido e é chamado de “estrela cadente”), com massa ínfima em relação à do nosso planeta. O adjetivo “cadente” muda substantivamente o termo “estrela”. Uma “estrela cadente” não é, certamente, uma “estrela”.

A adjetivação pode gerar expressões com significados antagônicos (antônimos) como, por exemplo, em “magia branca” e “magia negra” ou “anjo” e “anjo mau” ou “energia” e “energia negativa”. Note que o termo “anjo”, sem adjetivo, remete a coisas boas, à benemerência, enquanto “anjo mau” remete a demônio, à coisas maléficas; algo similar ocorre com “energia” e “energia negativa”.

Adjetivos podem ou não mudar substancialmente um termo e é importante ter isso muito claro porque pode causar muita confusão desnecessária.

O QUÃO “SOCIAIS” PODE MUDAR O TERMO “CIÊNCIAS”?

“Ciência ocultas” ou “ciências esotéricas” são expressões nas quais não há muita dúvida quanto à enorme e substantiva mudança que a adjetivação produz. Ciência não tem como ser “oculta” e é sempre exotérica, nunca esotérica.

A adjetivação pode estar emendada num novo termo, como o que o grande físico Richard Feynman cunhou décadas atrás, “pseudociência”, para se referir a falsa (pseudo) ciência.

A avaliação da mudança produzida pela adjetivação “sociais”, e também da adjetivação “humanas”, no substantivo “ciências” normalmente é bastante clara e radical para físicos, químicos, biólogos, matemáticos, engenheiros… Mas, aparentemente, não é tão clara para historiadores, geógrafos, linguistas, psicólogos, sociólogos, et. al. que quase sempre pensam, compreendem ou desejam, que a mudança produzida é algo suave, ameno, não radical.

É certo que áreas como linguística, geografia, história, política, sociologia, psicologia têm “objetos de estudo”, têm abordagens próprias, sistemáticas, têm métodos de pesquisa e procedimentos racionais (ainda que nem sempre apenas racionais). Mas espiritismo, astrologia, ufologia, e outras “logias” e “ismos” etc., que são pseudociências reconhecidas, também os têm, ainda que diferentes entre si e específicos. Um astrólogo tem método, tem uma “cartilha” a seguir, pode usar matemática e astronomia, eventualmente pode usar estatística e computador; tem objeto de estudo, tem método, há sistematicidade em seus procedimentos. Mas astrologia, apenas por isso, não é Ciência. Faltam-lhe outras características essenciais à Ciência.

Vale lembrar que os métodos próprios da história não se aplicam, direta e necessariamente, à linguística, e os métodos específicos da linguística não se aplicam à geografia ou à arqueologia… cada área, mesmo sendo categorizada dentro da classe “ciências sociais” ou “ciências humanas”, tem suas idiossincrasias metodológicas, suas peculiaridades gritantes. Têm em comum a obediência à certas normas burocráticas que normalmente constam nos manuais de “Metodologia da Pesquisa (ou Trabalho) Científica (ou Acadêmico)”, e contentam-se em considerar “ciência” tudo que obedece à esse tipo de cartilha. Mas, tal como para a astrologia, faltam-lhes características essenciais à Ciência.

Para um cientista, como um físico, por exemplo, é um grande choque, e sempre causa espanto, abrir um livreto com esse tipo de título (“Metodologia do Trabalho Científico”) e encontrar um receituário facilmente programável num computador dos anos 80 sobre tipos de letras, espaçamentos, convenções para citações e referências e toda a papagaiada que, ainda que importante, é acessória, de fato, ao que ele entende com “Ciência” ou “Trabalho Científico”. É o tipo de coisa que pode ser deixado para uma secretária, ou para um auxiliar; apenas um trabalho “braçal” maçante. Mais chocante ainda é o recurso a argumentos e ideias absolutamente ultrapassadas, arcaicas, que remontam a positivistas no século XIX ou neopositivistas do início do século XX. A mera obediência à esses “receituários”, entretanto, parece satisfazer aos cientistas sociais para caracterizar um trabalho, uma pesquisa, como “científica”.

Evidentemente, para o cientista social, o significado de “ciência” está muito distante do significado que o termo tem para um físico ou para um biólogo.

Um dos maiores físicos de todos os tempos, Richard Feynman, humilde e discretamente, externou seu espanto e desalento com essa confusão toda, em alguns textos e, principalmente, numa entrevista em 1983, para a BBC. Recorremos, adiante, a excertos da transcrição da fala de Feynman nessa entrevista para explicitar exemplarmente a ideia clara que tem um físico acerca das “ciências sociais”.

“Por causa do sucesso da ciência, há uma espécie de pseudociência. A ciência social é um exemplo de ciência que não é uma ciência, eles seguem formulários. Você coleta dados, você faz isso, assim, e assim por diante, mas eles não obtém nenhuma lei, eles não descobrem nada, nunca chegaram a lugar algum – ainda. Talvez algum dia eles vão, mas não está muito bem desenvolvido.”

 […]

O que acontece é que, em um nível ainda mais mundano, temos especialistas em tudo e que soam como se fossem uma espécie de cientista, de especialista. Eles não são cientistas. Sentam-se em uma máquina de escrever e inventam algo como ‘um alimento crescido com um fertilizante que seja orgânico é melhor para você, do que um alimento crescido com fertilizante inorgânico’. Talvez seja verdade, mas pode não ser verdade. Mas de uma forma ou de outra não foi demonstrado.

Mas eles vão se sentar na máquina de escrever e inventar tudo isso, como se fosse ciência e, em seguida, vão se tornar especialistas em alimentos orgânicos, e assim por diante. Há todos os tipos de mitos e pseudociência em todos os lugares.

[…]

Agora, eu posso estar completamente errado. Talvez eles saibam de todas essas coisas. Mas eu não acho que estou errado. Veja, eu tenho a vantagem de ter descoberto o quão difícil é de conhecer realmente algo, o quão cuidadoso você precisa ser sobre a verificação de seus experimentos, como é fácil fazer erros e tolices. Eu sei o que significa saber alguma coisa.

[…]

E, portanto, vejo como eles obtêm suas informações. E eu não posso acreditar que eles sabem quando não fizeram o trabalho necessário, quando eles não fizeram as verificações necessárias e não tiveram os cuidados necessários. Eu tenho uma grande suspeita de que eles não sabem e que estão intimidando as pessoas. Eu acho que sim. Eu não conheço o mundo muito bem, mas é o que eu acho.”

Richard Feynman

A CIÊNCIA DO CULTO À CARGA

Richard Feynman foi um cientista profícuo, um inquiridor agudo e arguto, com uma percepção singular do que é essencial nos fenômenos e com uma capacidade incrível de sintetizar e comunicar pedagogicamente suas ideias.

Em uma palestra no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), em 1974, Feynman cunhou uma expressão que sintetiza uma ideia esclarecedora sobre imposturas psdeudocientíficas e como elas surgem, como são produzidas: “cargo cult science”. Uma tradução adequada dessa expressão é “ciência de culto de carga”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas ilhas do pacífico sul foram ocupadas por tropas e usadas como bases operacionais. Nessas ilhas foram construídas ou improvisadas pistas de pouso e frequentemente eram trazidas ou lançadas cargas com mantimentos, remédios e objetos corriqueiros, mas de tecnologia avançada para os povos aborígenes dessas ilhas, como espelhos, pentes, panelas e facas metálicas, roupas, cordas…

Parte dessas cargas, destinadas primariamente às tropas, acabavam sendo usufruídas também pelos locais, que passaram a ver aviões como provedores dos mantimentos e das “maravilhas” tecnológicas, e os procedimentos que antecediam a entrega das cargas (como a comunicação por rádio, as sinalizações de pista, a movimentação do pessoal de solo etc.) como sofisticados rituais.

Após o término da guerra, e mesmo em alguns casos, ainda durante seus anos finais, quando essas muitas ilhas foram desocupadas pelas tropas invasoras, as cargas, e suas benesses, suas “dádivas”, cessaram.

Pouco tempo depois, observou-se em algumas dessas ilhas desocupadas o surgimento de rituais que foram chamados de “cultos de carga”, onde os nativos tentavam reproduzir o “cenário” e o “enredo” dos procedimentos que antecediam à chegada das cargas, os “rituais” que eles observavam antes, na expectativa de que fossem a causa e que produzissem a entrega de cargas.

Ainda que o cenário e o enredo fossem aparentemente os mesmos, com torres de controle, cabines de comunicação, rádios com antenas, uso de capacetes, luzes e fogos ao longo de pistas de pouso improvisadas, e ainda que o enredo com hasteamento de bandeiras e estranhas “danças” reproduzindo as sinalizações de pista fossem convincentes, as cargas não chegavam.

Nas palavras de Feynman:

“Nos mares do sul, existe um culto de pessoas à carga. Durante a guerra, eles viram aviões pousarem com muitos materiais bons e querem que o mesmo aconteça agora. Então, eles se organizaram para imitar coisas como pistas, para colocar fogueiras nas laterais das pistas, para fazer uma cabana de madeira para um homem sentar, com duas peças de madeira em sua cabeça como fones de ouvido e barras de bambu se projetando como antenas – ele é o controlador – e eles esperam os aviões pousarem. Eles estão fazendo tudo certo. A forma é perfeita. Parece exatamente como era antes. Mas não funciona. Nenhum avião pousa. Então eu chamo essas coisas de ciência do culto à carga, porque seguem todos os preceitos e formas aparentes de investigação científica, mas estão faltando algo essencial, porque os aviões não pousam.”

Feynman associou a ideia de “culto de carga” com a ideia de “ciência mal feita” ou feita superficialmente, apenas com um “verniz” de Ciência, e chamou isso de “ciência de culto à carga”.

Em algum momento dos anos 90, provavelmente em alguma edição daquela antiga revista que foi de grande circulação mundial por décadas no século XX, a Reader’s Digest (Seleções), havia uma expressão muito pitoresca do tipo de ciência falsa ou enganosa que é muito mais comum do que normalmente imaginamos: “física da fumacinha preta”. Numa história pitoresca enviada por algum leitor, ele descrevia como uma criança, em sua ingenuidade pueril, acreditava que os rádios realmente funcionavam devido a uma “fumacinha negra”. Ela havia notado que após ver sair a fumacinha negra de seu rádio, ele parou de funcionar, e concluiu que era essa fumacinha que o fazia funcionar. Essa “física da fumacinha negra”, onde uma mera correlação é tomada como sendo uma relação causal é muito mais frequente do que se imagina.

Num trecho inicial de “A Little Learning”, o grande poeta Alexander Pope alerta para os estragos que um pequeno conhecimento pode produzir na ausência da devida cautela.

A little learning is a dangerous thing;
Drink deep, or taste not the Pierian spring:
There shallow draughts intoxicate the brain,
And drinking largely sobers us again.

Uma tradução livre, sem preocupação com as rimas, pode ser esta:

“Um pequeno conhecimento é uma coisa perigosa;
Beba profundamente, ou não experimente da fonte Pieriana:
Uns poucos goles intoxicam o cérebro,
E beber bastante nos torna sóbrios novamente.”

E essa mesma ideia é sintetizada numa outra frase famosa, de um outro famoso físico do século XX, Stephen Hawkig:

“O grande inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”.

Quando “ciência de culto de carga” ou “física da fumacinha preta” é feita fora da academia e dos círculos socioeconômicos privilegiados ela é facilmente identificada, exposta, denunciada e justa ou injustamente execrada. Isso ocorre com a ufologia (não as pesquisas aeronáuticas sobre UFOs, mas as “pesquisas” que paradoxalmente os identificam com discos voadores pilotados por alienígenas extra-terrestres) e com a astrologia, por exemplo, sempre que algum adepto tenta emplacar uma delas como Ciência. Enquanto são meros devaneios ou crenças, são apenas não-ciência, reconhecidos como tal e com potencial de causar danos bem limitado. Essas coisas não chegam, sequer, a ser pseudociência, na maioria das situações em que as encontramos e são facilmente contidas em grande escala. Na academia não há, senão marginalmente e com ocorrência estatisticamente desprezível, defesa da ideia de que astrologia ou ufologia sejam Ciência.

Mas dentro das universidades e institutos de pesquisa também há muita “ciência de culto de carga” sendo feita, de maneira muito mais dissimulada e, por isso, perigosa; e é muito, mas muito raro mesmo que seja identificada, exposta e denunciada. Paradoxalmente, aí é que encontramos as “verdadeiras” pseudociências, travestidas de formalismo acadêmico e burocraticamente autorizadas por doutorados e mestrados proselitistas e quase sempre retroalimentados propedeuticamente. É aí que a ilusão do conhecimento toma a frente dos discursos com a autoridade da academia e com potencial de causar enormes estragos, não contidos, e em larga escala.

Ainda que mesmo nas áreas da Ciência que não precisa de adjetivação, como a Física, a Química ou a Biologia, eventualmente ocorra a ciência de culto de carga, é em outras áreas que se pretendem “ciência” que a ocorrência é quase uma norma. Nas áreas de ciências adjetivadas, como ciências sociais e ciências humanas, viceja abundantemente a ciência de culto de carga; versões quase herméticas, esotéricas, de pseudociência.

QUANDO UM JUDEU NÃO USA MAIS O GRAMPO NO QUIPÁ?

É comum que aquela pequena cobertura de cabeça usada pelos judeus, chamada de quipá (e que alguns cristão também usam, chamando de solidéu) seja discretamente presa ao cabelo por um grampo. Obviamente o grampo só é útil a um judeu com cabelo suficiente onde prendê-lo. A um judeu careca certamente o grampo é inútil. Para um judeu cabeludo mas que perca cabelos aceleradamente, dia após dia, vai chegar um momento em que o grampo se tornará inútil. Nesse dia, ele é um careca? E no dia anterior? Ele ainda era cabeludo?

Algumas coisas, sejam fatos ou processos, são bem definidas; outras não. Principalmente os processos de transformação, que partem de um estado e chegam a outro, quase sempre têm na mudança alguma indeterminação intrínseca.

Por exemplo, um grão de areia numa mesa não é um monte de areia. Colocando mais um grão junto a ele, ainda não temos um monte. Repetindo a ação, colocando um grão de cada vez, no início, o conjunto de grãos não é um monte de areia. Depois de colocar um milhão de grãos, juntos sobre a mesa, certamente teremos um monte de areia. Em que momento o conjunto de grãos tornou-se um monte?

Um cabeludo que perca uns mil fios de cabelo por dia, continua cabeludo por um tempo, mas depois, torna-se um careca. Em que

momento o cabeludo deixa de ser careca?

Questões que envolvem conceitos difusos, como alto, gordo ou careca, ou como quente, forte ou dolorido podem ser abordadas matematicamente com um tipo modificado da lógica clássica formal, denominada lógica difusa, ou fuzzy logic.

Ainda que existam áreas “cinzentas” entre o branco e o preto, é possível mensurar ou avaliar o quanto um determinado tom de cinza é mais branco ou mais preto e trabalhar logicamente com quantidades, com valores que expressam as nuances.

Mesmo quando não for possível ou não for interessante avaliar as nuances da interface entre dois estados, não significa que os dois estados não existem ou não são definíveis (falácia do continuum ou falácia do cinza). Isto é, mesmo que não possamos dizer com exatidão quantos grãos de areia juntos podem ser chamados de um “monte de areia” ou quantos cabelos um indivíduo tem que ter para não ser chamado de careca, ainda assim, existirão os carecas e os cabeludos, os grãos de areia e os montes de areia. O fato de não podermos ou não querermos tratar das nuances entre dois estados não significa que eles, os estados, não existam, não possam ser bem caracterizados ou devam ser ignorados.

Essa discussão pode ser estendida à delimitação da abrangência do termo “ciência”. Quando uma área de estudo é ciência e quando não? E quando há áreas não bem definidas, como caracterizá-las? Por que a astrologia, mesmo que use, eventualmente, conhecimentos científicos e cálculos matemáticos da astronomia, claramente não é uma ciência (adjetivada ou não) mas a sociologia, como exemplo, é pretendida por muitos dentro da academia como uma ciência? Que confusão pode embutir o uso da expressão onde ciência aparece adjetivada, como ciência social ou ciência humana? Talvez a distinção epistemológica entre a astrologia e a sociologia não seja grande, e talvez apenas as intenções, pretensões e objetivos dos sociólogos e dos astrólogos sejam as distinções mais importantes.

O grande esforço intelectual empreendido no início do século XX por Karl Popper e outros filósofos, que o precederam e que o seguiram, para demarcar a seara da Ciência foi essencial justamente para separar a ilusão do conhecimento do conhecimento científico. E a reação ao sucesso de critérios demarcatórios, principalmente o critério da falseabilidade, surgiu de muitas maneiras entre os diretamente atingidos dentro da academia, quase todos “militantes” das ciências sociais ou ciências humanas ou humanidades. Na Alemanha, a Escola de Frankfurt, e depois dela, na França, os pós-modernos e os desconstrutivistas, tentaram de tudo, até mesmo a relativização absoluta da Ciência para ataca-la e igualar, em valor, em confiabilidade, em qualidade, o conhecimento científico a qualquer outro tipo de conhecimento; inclusive o que eles achavam que produziam. Grosseiramente, a ideia deletéria por trás de todas as tentativas de negar ou desautorizar a Ciência era a de que se não era possível adentrar com as demais áreas de conhecimento acadêmico à seara da Ciência, para gozar de sua autoridade, transpondo a barreira dos critérios de demarcação, então ela própria, a barreira, deveria ser destruída para nivelar as coisas por baixo.

O IMPRESSIONANTE SUCESSO DA CIÊNCIA

Isaac Newton publicou os “Principia” em 1687. Além de unificar a física celeste de Kepler com a física terrestre de Galileo, a mecânica de Newton permitiu calcular e fazer previsões como nunca antes fora possível. Entre muitas coisas espetaculares, a mecânica de Newton, em sua formulação matemática original ou nas posteriores de Euler-Lagrange ou de Hamilton, permitiu prever o retorno do Cometa Halley (1758), permitiu a descoberta do planeta Netuno (1846), a confirmação da descoberta de Ceres (1801) e a descoberta de Plutão (1930). Anos depois, seria publicada outra obra magnífica do mesmo Newton, a “Óptica”, com ideias e descrições exemplares dos métodos e procedimentos usados por esse gênio singular, e que serviram de modelo a muitas outras pesquisas científicas. O papel de Newton para o Iluminismo foi sobejamente expressado como música para os ouvidos num pequeno e eloquente poema que Alexander Pope dedicou a ele, e que diz mais ou menos “A natureza e suas leis estavam escondidas na noite. Deus disse, ‘Faça-se Newton!’ E tudo se fez luz!”

“Nature and nature’s laws
lay hide in the nigth. God
said, Let Newton be! And
all was light!”

Alexander Pope

“Tomando a Matemática desde o início do mundo até o tempo de Newton, o que ele fez é de longe a melhor metade.”
Leibniz

A Ciência moderna, nascida paulatinamente ao longo de séculos, mas com “certidão de nascimento” do século XVII, obteve sucessivos e retumbantes resultados positivos, não apenas na mecânica mas em diversas outras áreas da física, e com consequências em todas as demais áreas de conhecimento humano.

O Iluminismo e um quase religioso “culto à razão” no século XVIII fundamentou-se grandemente na “Revolução Científica” iniciada no século XVI e que teve seu ápice com a Mecânica Newtoniana. Com sua capacidade de dar explicações racionais e lógicas a fenômenos conhecidos e seu inusitado poder de cálculos e previsões de outros fenômenos, a cosmovisão de Newton amealhou muitos resultados portentosos e louros de dar inveja mesmo aos geniais pensadores da Grécia Antiga; além de influenciar intensamente todas as áreas de conhecimento e estudos. Até mesmo a filosofia, a teologia, a teogonia e outras searas intelectuais muito distantes do foco imediato da mecânica de Newton foram fortemente influenciadas por ela.

No final do século XVIII a Ciência e o racionalismo, por seus méritos próprios em explicar e prever, gozavam de um enorme prestígio intelectual em todos os estratos sociais. Entre os populares iletrados, entre nobres bem instruídos e entre os simplórios, no clero e principalmente nas universidades, dizer que algo era “científico” tinha um grande poder de convencimento. A Ciência impunha, pelos seus resultados, muito respeito.

Muitas outras áreas de estudo onde não se conseguia aplicar métodos similares aos usados pelos cientistas, como a teologia, a história, a economia, a filosofia etc., ainda que empregando intensamente a racionalidade, ficaram de fora dessa rápida evolução tanto quanto ao sucesso dos resultados como quanto ao aumento vertiginoso do prestígio e do respeito.

POSITIVISTAS E A INVEJA DA CIÊNCIA

Ainda que os fenômenos sociais, históricos, econômicos e morais tenham sido tratados racionalmente por muitos filósofos, desde a Antiguidade, foi durante o Iluminismo que surgiu uma maior sistematização desses conhecimentos e tentativas de trata-los com maior rigor lógico e racional, tal como ocorria na Ciência e, particularmente, na Física.

Diversos filósofos iluministas, tipicamente franceses do século XVII, como Condorcet, Montesquieu e Saint Simon, se esmeraram em tratar com racionalidade e rigor lógico as questões morais, políticas e sociais. Mas foi no século XVIII, principalmente através dos trabalhos de August Comte, que sedimentou-se essa ideia de tratar os complexos e intrincados fenômenos sociais com a mesma racionalidade, com os mesmos princípios e com o mesmo rigor lógico usados pela Ciência (Física, Química, Biologia).

Essa doutrina com ares de religião, criada por Comte, é o “Positivismo”.

Sob essa sua “Filosofia Positiva”, Comte idealizou um conjunto de “ciências” entre as quais incluiu, como a mais complexa, a “Física Social”, que é o germe do que nomeamos hoje de “Sociologia”. Por princípio essa sociologia teria como objetivo a descoberta e explicação racional de “leis sociais” que explicasse e pudessem prever fenômenos sociais, tal como as leis naturais. Para Comte, de fato, a sociologia deveria buscar ser mesmo, de fato, uma “ciência natural”, tanto quanto a Física, ainda que se utilizando de métodos específicos distintos, melhor adaptados a estudar os fenômenos complexos em seu escopo.

O prestígio intelectual e social da Ciência no século XVIII era algo invejável e a possibilidade de elevar outras áreas de conhecimento, mesmo que apenas artificial e nomeadamente, ao status de “ciência” caiu como uma luva a preencher os anseios dos intelectuais que se dedicavam à elas. A fala de um físico sobre a gravitação ou de um médico sobre borboletas e lagartas gozava de prestígio e autoridade intelectual inimagináveis para um teólogo ou para um filósofo dedicado a questões sociais. Essa “inveja” da Ciência facilitou muito a aceitação do positivismo entre todos os acadêmicos não cientistas.

A ideia geral de Comte não era de todo ruim, mas a tentativa de empreender essa transformação radical naquela época foi um desastre e o resultado foi patético, como até hoje podemos testemunhar.

Paradoxalmente, a partir dos anos 70 do século XX, com o desenvolvimento de áreas específicas da Biologia, o ideal de Comte de tratar cientificamente as questões sociais (éticas, morais, humanas) até se tornou viável mas foi rechaçado e negada peremptoriamente e quase unanimemente pelos sociólogos de então, herdeiros rebeldes da tradição comteana.

A etologia (o estudo comparado do comportamento animal) e a sociobiologia (o estudo do comportamento social dos animais), fundamentadas em bases biológicas sólidas, e portanto, científicas, se assemelham muito mais à “física social” de Comte do que a sociologia real, de fato, estabelecida por seus sucessores, como Émile Durkheim e Max Weber.

Mais trágicas que patéticas foram as intervenções sociais, por muitos tidas até hoje como “científicas”, sob os auspícios das ideias de Karl Marx, que resultaram invariavelmente em regimes políticos autoritários sinérgicos e simultâneos a regimes econômicos de escassez, miséria e fome, justamente por ignorarem ou negarem em suas bases, em seus fundamentos, informações científicas e factuais sobre o ser humano, sua biologia e seu comportamento como animal

A sociologia de fato, de Durkheim, Weber e Marx, como explicadora ou previsora de fenômenos sociais foi patética e como guia ou como mentora de mudanças sociais foi trágica.

Já o que poderia ser de fato uma sociologia científica existe hoje dentro da Biologia com outro nome; a Sociobiologia.

Atualmente, e desde o século XX, a sociologia abriga-se junto com a política, com a antropologia, e dependendo da vontade subjetiva do classificador, a linguística, a psicologia, a economia, etc., na denominação imprecisa, nebulosa e confusa de “Ciências Sociais”.

Da mesma maneira, e ainda com mais confusão, áreas de conhecimento como História, Geografia (humana), e também dependendo da vontade do classificador, muitas outras como filosofia e até mesmo teologia, abrigam-se na denominação “Ciências Humanas”.

Ao sabor da volição do classificador, Ciências Sociais se confundem mais ou menos com Ciências Humanas e com o termo mais vago “Humanidades”.

Essas grandes áreas (Ciências Sociais, Ciências Humanas, Humanidades) que podem ter mais ou menos intersecção conforme a vontade do classificador, mesmo com a usurpação do termo “ciência”, ainda que adjetivado, nunca tiveram, de fato, o almejado status intelectual da Ciência (sem adjetivação).

Durante a segunda metade do século XX, inúmeras tentativas de emprestar termos da Ciência e de relativizar afirmações científicas, seja pelos alemães da “Escola de Frankfurt”, seja pelos franceses “Pós-Modernos” e “Desconstrutivistas”, mostraram-se sempre intelectualmente patéticas.

 A pá de cal nessas tentativas toscas de igualar o status intelectual do tipo de conhecimento confiável, funcional, propiciado pela Ciência com os conhecimentos muito menos objetivos dessas outras áreas foi a publicação de um famoso e antológico artigo “Transgressing the Boundaries: Towards a transformative Hermeneutics of Quantum Gravity” (Transgredindo as Fronteiras: Rumo a uma Hermenêutica Transformativa da Gravidade Quântica) do físico Alan Sokal na renomada e prestigiada revista “Social Text”.

O texto continha apenas muitas bobagens sem nexo algum, justapostas de maneira confusa entre uma ou outra informação fatual óbvia e com muitas citações estapafúrdias de alguns acadêmicos reais, “cientistas sociais” renomados.

Esse artigo expôs ao ridículo a revista, seus editores e seus revisores, e todos os que a tinham como referência intelectual. A partir dele, Sokal, em parceria com o também físico Jean Bricmont, publicou posteriormente um livro com críticas até respeitosas e tímidas ao pensamento (ou anti-pensamento) então predominante nas Ciências Sociais, “Imposturas Intelectuais”.

A IMPORTÂNCIA DAS NÃO-CIÊNCIAS

Não há como negar a importância de grande parte dos estudos e inferências da História, da Geografia, da Antropologia, da Arqueologia, da Linguística, da Psicologia, da Economia, da Política, da Ética, da Estética e mesmo da filosofia em geral, da metafísica, da teologia e de tantas outras áreas que não são Ciência; são obviamente “não-ciência”.

A Ciência não é a única maneira que temos de perscrutar o mundo e inquirir sobre os fenômenos; ainda que seja o mais funcional, o mais profícuo e o mais confiável caminho para isso. Muitos sequer a consideram a melhor maneira de conhecer a realidade.

Os objetos de estudo, os métodos, as estratégias intelectuais, as heurísticas usadas por um linguista são específicas e podem não ser adequadas a um historiados ou a um geógrafo, muito menos a um químico ou a um engenheiro aplicando Ciência. Áreas complexas se utilizam de métodos e estratégias específicas, direcionadas à resolução de suas questões quase sempre idiossincráticas.

Muitos dos estudos abrigados sob as “Ciências Sociais”, “Ciências Humanas” ou “Humanidades” são importantes e servem como instrumentos para compreensão do mundo, tomada de decisões e

ações. Infelizmente, muitos também são absolutamente inúteis (sob qualquer perspectiva prática ou teórica) e dispensáveis.

Não se pode negar a praticidade, a importância e a funcionalidade até surpreendente de áreas de conhecimento não científicas. Entretanto, não há, por qualquer motivo razoável, por que fazer confusão entre esses diversos, variados tipos de conhecimento, e a Ciência. É fundamental manter as coisas diferentes em categorias diferentes. Tanto mais fundamental é não tentar fazer passar por Ciência qualquer tipo de conhecimento que não o seja; expediente que daria margem a identifica-lo como pseudociência.

Ciência Social, quando tenta se passar por Ciência, é mera pseudociência.

Ciências Sociais são tão Ciência quanto um gato de porcelana é um gato.

“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”.

Daniel Boorstin/Stephen Hawking

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